quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"Pitanga", Mallu Magalhães


Mallu mostra sua brasilidade em disco solar e autoral.

É tempo de pitanga nos pomares. E, no pomar de Mallu, a semente plantada meio ano atrás rende frutos. O mais recente trabalho da cantora, o disco intitulado "Pitanga", traz canções sinceras, maduras e autorais. "Pitanga é bandeira de minha existência", escreveu em seu blog-diário ao sintetizar o disco, cuja essência autoral já é perceptível na primeira audição. O belo álbum produzido por Marcelo Camelo, namorado de Mallu, e co-produzido por Victor Rice, tem instrumental fino - grande parte tocado pelo Casal -, experimentações e arranjos às vezes espaçados, evidenciando a voz de Mallu. Quanto às composições, elas estão cada vez melhores, intensas e grande parte em língua portuguesa.



capa do disco "Pitanga"


"Velha e Louca" abre o disco, e Mallu avisa: "Pode falar que eu não ligo / Agora, amigo, eu tô em outra". Versos que refletem nitidamente a maturidade e confiança alcançadas nos quase quatro anos de carreira. O banjo, muito presente no primeiro disco (Mallu Magalhães, 2008) volta nessa faixa. Em seguida, a também conhecida dos shows "Cena", num arranjo belíssimo, remetendo à "A Outra", música do disco "Ventura" do Los Hermanos, grande referência da cantora. "Sambinha Bom", que entraria no segundo disco, é a próxima faixa, com instrumental cru, bateria preguiçosa e piano. "Olha só, Moreno" tem letra fofa e confecional, como quase todas do disco, porém a singeleza da música impressiona e cativa. Nesse disco, Mallu utilizou do inglês e português na mesma música, como acontece em "Youhuhu", canção divertida. Nesta mesma música, nos últimos versos, há um diálogo com a canção "Toque Dela", de autoria de Marcelo, "Por que se eu tô com ela / eu não quero mais ninguem", Mallu responde: "Só quero saber dele/ e nada mais importa". O amor, com suas alegrias e dificuldades, é um tema recorrente no disco. "Por Que Você Faz Assim Comigo?" é um dos pontos altos do álbum, por conta dos belíssimos versos e do arranjo que fica grandioso ao londo da audição "Talvez eu deva ser forte / Pedir ao mar por mais sorte / E aprender a navegar". "Baby, I'm Sure" traz Camelo no refrão. "In The Morning" traz Mallu ao piano, em uma doce canção de ninar. Dando continuidade ao clima romântico, "Lonely" é intensa e resgata o clima dos últimos dois álbuns, Mallu toca viola caipira. É válido ressaltar que, nesse disco, Mallu afirma seu talento como multi-instrumentista: toca os tradicionais violões, banjos e escaletas, e experimenta tocando acordeon, guitarra, piano e bateria. "Highly Sensitive" é outra ótima canção, destaque para as guitarras. Em "Oh, Ana", Mallu envoca Nara Leão, grande referência, muito explorada nas músicas. Fechando o disco, a experimental e climática "Cais" traz a Cantora ao piano, crua, confecional, em sua pura essência.



Mallu em foto de Marcelo Camelo

Para ouvir pitanga, é necessário esquecer dos ouvidos , é preciso abrir a alma. Assim, pitanga reverbera e se faz grande, tornando cada progressão de acorde e bordado de som um íntimo e apoteótico desfile de novas sensações.



Pitanga, Mallu Magalhães, produzido por Marcelo Camelo, Sony BMG, 2011.


2 comentários:

  1. Ótimo post, Paulo. Parabéns.
    E viva a nossa Mallu hahaha
    :D

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  2. Música e Grama, um blog para indies vegetarianos

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